Você treina tanto quanto os melhores do mundo?
- Luigi Pellicciotta

- 30 de jun.
- 2 min de leitura
Aproveitando o clima da Copa do Mundo, uma coisa chama a atenção: os melhores jogadores do planeta passam muito mais tempo treinando do que jogando. Treinam quase todos os dias para competir uma ou duas vezes por semana.
E isso não vale apenas para o futebol. Vale para tenistas, pilotos, enxadristas, nadadores e praticamente qualquer profissional que atua em ambientes de alta performance.
Mas existe uma diferença importante.
Eles não apenas repetem.
Eles treinam.
Parece a mesma coisa. Mas não é.
Um dos estudos mais relevantes sobre o desenvolvimento de especialistas, conduzido pelo pesquisador Anders Ericsson, mostrou que a simples repetição de uma atividade nem sempre produz melhoria significativa de desempenho. Sem feedback. Sem correção. Sem esforço deliberado para evoluir. O aprendizado tende a ser mínimo.
Talvez seja por isso que tantas pessoas confundam experiência com desenvolvimento.
Alguém pode dirigir por vinte anos e não se tornar um motorista melhor. Pode liderar equipes por dez anos e não se tornar um líder melhor. Pode trabalhar com vendas durante décadas e continuar cometendo os mesmos erros.
O tempo, sozinho, não gera excelência.
Outro ponto interessante do estudo é que, em esportes de resistência, a intensidade do treinamento costuma ser mais determinante do que o volume. Não importa apenas quanto se treina. Importa como se treina.
A mesma lógica vale para o ambiente corporativo.
Participar de um curso não garante aprendizado. Ler um livro não garante mudança. Estar presente em uma reunião não garante desenvolvimento.
A pergunta é outra:
Quanto desse tempo foi dedicado a desafiar habilidades que ainda precisam evoluir?
Talvez o maior contraste entre o esporte e o mundo corporativo esteja justamente aí. No esporte, todos aceitam que a performance é consequência da preparação. Nas empresas, muitas vezes, esperamos alta performance sem reservar espaço para treinamento.
Jogamos todos os dias.
Treinamos cada vez menos.
Os melhores profissionais que conhecemos, porém, parecem seguir a lógica oposta. Participam de fóruns, buscam mentores, fazem programas executivos, pedem feedback, estudam tendências e aprendem continuamente.
Não porque têm mais tempo.
Mas porque entenderam algo simples:
A excelência raramente é fruto da experiência acumulada.
Ela costuma ser consequência da forma como escolhemos aprender.
Referência
Ericsson, K. A., Krampe, R. T. e Tesch-Römer, C. (1993). The Role of Deliberate Practice in the Acquisition of Expert Performance. Psychological Review, 100(3), 363–406.



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