NR-1 e Saúde Mental: O Erro que Ninguém Quer Ver
- Luigi Pellicciotta

- 18 de mar. de 2025
- 3 min de leitura
Atualizado: 10 de dez. de 2025
Nos últimos anos, muito se falou sobre saúde mental no trabalho. De programas de bem-estar a palestras motivacionais, empresas correram para demonstrar preocupação. Mas aqui vai a verdade nua e crua: não estamos cuidando das pessoas de verdade.
E isso tem um custo.
A nova NR-1 (Norma Regulamentadora 1) traz um ponto crucial: a gestão de riscos ocupacionais. Isso inclui saúde emocional. Sim, o jogo virou – empresas que antes encaravam o burnout como “mimimi” agora precisam, por lei, assumir responsabilidade. Mas será que estamos entendendo a profundidade do problema?
O Efeito Pós-Pandemia: Estamos Mais Exaustos do Que Nunca
Os números não mentem. Um levantamento da OMS já mostrava que o Brasil lidera o ranking de ansiedade no mundo. Depois da pandemia, a bomba estourou:
9 a cada 10 trabalhadores brasileiros afirmam que já tiveram algum nível de esgotamento profissional.
O índice de afastamentos por transtornos mentais subiu 30% desde 2021.
As mulheres foram as mais afetadas: acumulam jornadas duplas, lideram a estatística de ansiedade e são as que mais relatam sentir culpa ao tirar um tempo para si mesmas.
E agora? Como evitar que esse ciclo se repita?
O Que a NR-1 Tem a Ver Com Isso?
A nova NR-1 obriga empresas a criarem um Programa de Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (PGR). E isso inclui fatores psicossociais. Traduzindo: cabe às empresas garantir que o ambiente de trabalho não seja um gatilho para doenças emocionais.
A questão é que não adianta apenas cumprir a norma. O real impacto está na mudança de mentalidade. Como podemos garantir que líderes, equipes de RH e gestores olhem para a saúde mental como algo estratégico e não apenas um checklist de compliance?
5 Ações Para o RH e Empresas Que Realmente Querem Fazer Algo Sobre Isso
Se você cuida de pessoas, está na linha de frente dessa transformação. Aqui estão cinco passos práticos para começar AGORA:
1. Pare de tratar saúde mental como "extra".
Não é benefício, é sobrevivência corporativa. O ROI de um programa de saúde emocional bem estruturado já foi provado – menos turnover, menos afastamentos e maior produtividade. Simples assim.
2. Líderes precisam de treinamento, não só palestras motivacionais.
Não adianta dar um “cuidem-se” e esperar que os gestores saibam o que fazer. Capacitação em inteligência emocional, escuta ativa e gestão de crises precisa ser parte da formação.
3. Flexibilidade não é regalia, é estratégia.
As novas gerações não aceitam mais horários engessados ou ambientes tóxicos. Trabalho híbrido e bem-estar não são modismos – são critérios de escolha para quem quer reter talentos.
4. Diga adeus ao RH reativo.
Se o setor de Gente & Gestão ainda age só depois que o problema aparece, está errado. Inteligência emocional precisa ser preventiva, mapeando riscos antes que o burnout bata na porta.
5. Não basta falar, tem que fazer.
Já vimos empresas prometerem apoio emocional e, ao mesmo tempo, sobrecarregarem equipes. A cultura real é medida nos pequenos detalhes do dia a dia, não nos discursos bonitos.
A INCO já vem implementando trilhas de inteligência emocional desde a pandemia e o resultado é claro: empresas que investem nisso veem times mais engajados, produtivos e saudáveis. Agora, com a NR-1, a discussão deixa de ser opcional.
A pergunta é: o que você vai fazer a respeito?
Autor: Luigi Pellicciota, CEO da Escola INCO



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